A Justiça Brasileira – Grande, Cara e Pouco Eficiente

O Poder Judiciário brasileiro é um verdadeiro gigante. Sua estrutura é tão complexa que não existe nada parecido em outros países. Está espalhado por todo o país, com órgãos na União e nos 27 estados da federação. São muitos tribunais, cargos e repartições que, ao longo do tempo, aprenderam a garantir fatias cada vez maiores do orçamento público.

Na prática, essa estrutura virou um “mastodonte administrativo”, ocupa espaço, gasta muito dinheiro, contrata milhares de pessoas — inclusive muitos indicados por influência política — e nem sempre entrega serviços de qualidade para a população.

Para se ter uma ideia, nos países desenvolvidos o Judiciário consome entre 0,15% a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). No Brasil, esse número chega a impressionantes 1,48% do PIB — ou seja, três vezes mais do que o normal.

Vamos aos números:

  • PIB estimado em 2025 FMI: US$2.256.900 =  R$ 12 trilhões
  • PIB ESTIMADO 2025 BANCO MUNDIAL US$1.650.000 = R$9 trilhões
  • PIB MÉDIO = R$10,5 TRILHÕES
  • 0,5% do PIB (referência internacional): R$ 52 bilhões
  • Gastos no Brasil com Justiça Federal: R$ 86.638.726.259,00 (86 BILHÕES)
  • Gastos com Justiças Estaduais: R$ 70 bilhões
  • Total gasto com o JudiciárioR$ 156 bilhões (ou 1,48% do PIB)

É muito dinheiro. E parte dele vai para estruturas que não existem em nenhum outro lugar do mundo. Por exemplo, temos cinco “Justiças diferentes”: Justiça Federal, Estadual, Eleitoral, Militar e do Trabalho. Em vários países, tudo isso é resolvido por um único sistema de justiça.

O resultado? Um sistema pesado, caro e pouco eficiente, que consome recursos que poderiam ser usados em saúde, educação, segurança e infraestrutura. Em 2026, só a Justiça Federal deve consumir quase R$ 86 bilhões — um valor que merece, no mínimo, debate público e mais transparência.

A tabela mostra como esse dinheiro está sendo gasto, e por quem.

ECO SISTEMA FEDERAL

INSTITUIÇÃO2026202720282029
STF1.098.903.4331.117.839.5791.177.790.9881.228.764.281
STJ2.488.121.4382.564.370.6602.703.680.7392.821.562.503
JUSTICA FEDERAL18.813.972.23319.660.372.12920.692.254.72121.573.430.156
JUSTICA MILITAR935.408.190973.065.1.027.543.0471.071.779.404
JUSTICA ELEITORAL14.000.529.59413.279.252.91415.420.810.49614.563.886.446
JUSTICA TRABALHO32.341.342.56033.440.719.04035.189.135.16036.666.572.705
JUSTICA DO DF E T4.701.011.8714.845.712.1505.120.845.2525.370.244.736
CNJ609.064.589467.449.988658.031.639676.283.246
SUBTOTAL 174.988.355.93475.376.691.55281.990.094.07083.972.525.506
MPF6.116.101.557   
MPM399.571.734   
MP DF e Territórios1.369.297.129   
MPT2.695.395.472   
ES do MPF44.423.987   
Conselho Nacional MP133.216.601   
SUBTOTAL 210.758.006.48011.267.830.91511.875.419.45612.388.148.024
     
DEFENSORIA UNIÃO 3892.363.845946.370.897997.400.4041.040.462.912
TOTAL 1+2+386.638.726.25987.590.893.36494.862.913.93097.401.136.442
EVOLUÇÃO %100,00101,09%101,08%101,02%

Fonte: Orçamento Federal Ministério da Economia 2026

ECO SISTEMA ESTADUAL JUSTIÇA

ÓRGÃOEM REAIS
TRIBUNAL DE JUSTIÇA SC4.872.728.127
FUNDO DE REAPARELHAMENTO (r.PRÓPRIOS TAXAS)917.308.079
SUBTOTAL 15.790.036.206
MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL1.692.598.140
FUNDO DE BENS LESADOS27.700.000
FUNDO ESPECIAL474.000
FUNDO DE MODERNIZAÇÃO119.557.343
SUBTOTAL 21.840.329.483
DEFENSORIA PÚBLICA192.913.553
FUNDO DE REAPARELHAMENTO2.390.072
SUBTOTAL 3195.303.625
TOTAL 1+2+37.825.669.314

FONTE: LOA ALESC 2026

Santa Catarina, um estado conhecido por sua organização e força produtiva, não foge à regra quando o assunto é o tamanho e o custo da Justiça.

Em 2025, o PIB catarinense foi de aproximadamente R$ 500 bilhões. Segundo ORÇAMENTO DE 2026, os gastos do estado com o sistema de Justiça (Tribunal de Justiça, Ministério Público e Defensoria Pública) será de 7.825.669.314,00 representam 1,56% desse valor, pouco superior à média  nacional, de 1,48% mas muito alto se comparado com padrões internacionais.

É importante lembrar, em países desenvolvidos, esse índice costuma ficar abaixo de 0,5% do PIB. Ou seja, Santa Catarina gasta mais do três vezes do razoável, mesmo sendo um estado relativamente bem administrado.

Essa realidade mostra que não se trata de um problema isolado, mas sistêmico. A estrutura judiciária brasileira, mesmo nos estados com melhor desempenho econômico e institucional, é cara e pouco enxuta. Isso exige reflexão, coragem para propor mudanças e, principalmente, transparência sobre onde e como esse dinheiro está sendo usado.

A sociedade catarinense — que tanto contribui para o desenvolvimento do Brasil — merece uma Justiça mais eficiente, mais simples e muito mais conectada com os interesses da população.

Informação Relevante:

RLD = Receita Líquida Disponível, base de cálculo de repasse de duodécimos aos Poderes, Alesc, TJ, MPSC, TCE e Udesc em Santa Catarina. É a receita do Tesouro, sem receita previdenciária, já deduzidos repasses aos municípios e ao Fundeb. 

Das RLD a divisão atual é: 4,34% para a Assembleia Legislativa (Alesc); 1,66% para o Tribunal de Contas do Estado (TCE); 9,41% para o Tribunal de Justiça (TJSC); 3,98% para o Ministério Público (MPSC); 2,49% para a Udesc.

AVALIAÇÃO DA JUSTIÇA BRASILEIRA

No indicador JUSTIÇA CRIMINAL do WJP Rule of Law Index 2021, o Brasil ocupa a 112 posição num ranking de 139 paises. Entre os medidores avaliados estão a “efetividade das investigações, a duração do processo, a capacidade de prevenção criminal, a imparcialidade do sistema de justiça, a ausência de corrupção e o respeito ao devido processo legal. Em primeiro lugar está a Noruega, seguida da Finlândia, Dinamarca, Áustria, Suécia e Alemanha.

Fonte:https://worldjusticeproject.org/rule-of-law-index/factors/2021/Brazil/Criminal%20Justice/