Verde que destrói – o erro das plantas invasoras em projetos de paisagismo na Ilha de Santa Catarina
São 1500 ha cobertos de pinus. Atualmente o parque aceita campings e é muito frequentado no verão.
Florianópolis vive um dos maiores dilemas ambientais de sua história recente, a proliferação descontrolada de espécies vegetais invasoras, que avançam sobre ecossistemas frágeis e comprometem a biodiversidade local. O caso mais emblemático é o do Pinus elliottii, introduzido na década de 1960 no Rio Vermelho pelo próprio governo estadual, sob a justificativa de conter dunas e tornar produtivas áreas “improdutivas”. Décadas depois, o que era uma tentativa de manejo se transformou em um grave problema ecológico.
Hoje, o Parque Estadual do Rio Vermelho — com mais de 1.500 hectares entre a Praia do Moçambique e a Lagoa da Conceição — ainda tem cerca de 35% da área tomada por pinus e eucaliptos, espécies que afetam o solo, alteram o microclima e competem com a vegetação nativa, como as restingas e matas de transição.
Apesar dos alertas, ainda é comum ver profissionais — arquitetos, engenheiros, paisagistas e até ambientalistas — incluírem plantas exóticas e invasoras em projetos de jardins verticais, fachadas vegetais e áreas verdes urbanas. O uso estético dessas espécies ignora seu impacto ambiental. A aparência agradável esconde o fato de que essas plantas possuem crescimento acelerado, ausência de predadores naturais e uma alta capacidade de se espalhar, ameaçando diretamente a flora nativa.
Ao adotar espécies como pinus e eucalipto em áreas urbanas ou projetos de paisagismo, perpetua-se o erro de décadas atrás. Além de desequilibrar o ecossistema, essas escolhas comprometem a saúde dos solos, alteram a disponibilidade de água e reduzem o espaço para espécies locais, mais bem adaptadas ao clima e à biodiversidade da Ilha.
Falta, sobretudo, uma política pública clara e efetiva de erradicação das espécies invasoras, além de uma mudança de mentalidade por parte dos profissionais envolvidos com o urbanismo verde. O que parece “sustentável” ou “moderno” na verdade pode ser um disfarce perigoso para a degradação ambiental.
É hora de repensar o paisagismo não apenas como arte, mas como compromisso com o território e com a natureza nativa que nos sustenta.
ADM. DILVO VICENTE TIRLONI – PRESIDENTE
Informação Relevante
- O texto se refere a Ilha de SC. Capim-annoni (Brachiaria decumbens), por exemplo é uma gramínea muito comum em pastagens, utilizada com bons resultados pelos criadores de animais. Pinus e Eucalipthus são utilizados pelas empresas de Celulose.
- Como o pinus já atingiu o ciclo de cortes, o Governo do Estado poderia negociar um valor com a iniciativa privada e em troca, haveria a arborização da área por plantas naturais. Outra alternativa seria urbanizar o terreno com largas reservas naturais preservadas.
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