BRASIL 14 — UMA NOVA AGENDA NACIONAL — INFRAESTRUTURA – O BRASIL PRECISA VOLTAR A INVESTIR NO FUTURO – SEM INVESTIMENTO, NÃO HÁ DESENVOLVIMENTO
Nenhum país alcança desenvolvimento sustentado sem investir pesadamente no futuro. Energia, transportes, ferrovias, portos, rodovias, comunicações, saneamento, habitação e educação formam a base material e humana de uma economia moderna.
O Brasil investe pouco. Segundo estudo da CNI, em 2024 foram aplicados R$ 266,8 bilhões em infraestrutura, equivalentes a apenas 2,27% do PIB. Para superar o déficit histórico, a entidade estima ser necessário alcançar aproximadamente 4,65% do PIB, ou R$ 550 bilhões anuais, mantendo esse esforço durante cerca de duas décadas. Desse investimento realizado em 2024, mais de 70% veio da iniciativa privada.
Esta Agenda Nacional propõe ir além. O Brasil deveria estabelecer como princípio orçamentário que 20% a 25% das receitas primárias dos governos sejam destinados a investimentos estratégicos, abrangendo infraestrutura física e formação de capital humano.
Somente no Governo Federal, cuja receita primária prevista para 2026 está próxima de R$ 3,2 trilhões, essa regra representaria algo entre R$ 640 bilhões e R$ 800 bilhões por ano.
Parte desses recursos deveria financiar diretamente infraestrutura; outra parte, Educação, ciência, tecnologia e ensino profissionalizante. Não basta construir ferrovias, usinas, portos, redes digitais e indústrias, é indispensável formar engenheiros, técnicos, operadores e trabalhadores capazes de construir, operar e modernizar esses investimentos.
Nesse modelo, União, Estados, municípios e iniciativa privada deveriam trabalhar dentro de um Plano Nacional de Desenvolvimento de longo prazo. Órgãos ambientais e Ministério Público cumpririam seu papel de fiscalização e proteção ambiental, mas também dentro de regras claras, prazos definidos e segurança jurídica.
A experiência internacional mostra que infraestrutura exige continuidade. O Brasil precisa transformar investimento em política permanente de Estado – menos despesas improdutivas, mais capital físico, mais conhecimento e mais capacidade de produzir.
ADM. DILVO VICENTE TIRLONI
INFORMAÇÕES RELEVANTES
01 — Educação — A LOA 2026 destinou R$ 233,7 bilhões à Educação, ante R$ 206,1 bilhões em 2025. Formação técnica, científica e universitária é parte essencial do capital humano necessário para sustentar investimentos e elevar a produtividade do país. Ninguém sabe ao certo, por inexistir pesquisas independentes, qual a qualidade do Ensino Superior.
02 — Infraestrutura — Em 2024, o Brasil investiu R$ 266,8 bilhões em infraestrutura, equivalentes a 2,27% do PIB. Considerando receitas líquidas governamentais de R$ 3,4 trilhões, defendo destinar 20% a 25% a investimentos ou seja, aplicar entre R$ 680 bilhões e R$ 850 bilhões por ano, o equivalente a aproximadamente 5,67% a 7,08% de um PIB de R$ 12 trilhões.
03 — Onde o Brasil investe — Dos R$ 266,8 bilhões aplicados em infraestrutura em 2024, foram R$ 112,8 bilhões em energia elétrica, R$ 84,6 bilhões em transportes, R$ 41,1 bilhões em saneamento e R$ 28,3 bilhões em telecomunicações. Do total, 70,5% — R$ 188,1 bilhões — vieram da iniciativa privada. Habitação não está incluída nesse cálculo da CNI. Separadamente, em 2024, o FGTS executou R$ 126,5 bilhões em financiamentos habitacionais. Os Governos, federal, estadual e municipais, omitem recursos orçamentários para Habitação.
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