DISTRITOS DO SUL PEDEM SOCORRO
Com quase 100 mil habitantes e mais de 38 mil domicílios, a região Sul da Ilha — formada pelos Distritos do Ribeirão da Ilha, Pântano do Sul, Campeche e Tapera da Base — convive há décadas com uma ferida exposta e infeccionada, a ausência total de esgotamento sanitário. Um cenário vergonhoso para uma cidade que se pretende turística, moderna e inteligente. Pior, sem qualquer sinal concreto de resolução no horizonte.
Enquanto isso, o setor imobiliário explode. Há quase 500 prédios em construção na região, mais de 70% no Campeche. Obras arrojadas, investimentos pesados, profissionais qualificados — todos tolhidos por um freio urbanístico arcaico, o limite de apenas seis andares, imposto por um Plano Diretor que já deveria ter sido revisto, rasgado e refeito. A analogia é certeira, é um elefante caramelo no meio de uma sala de cristais, completamente fora de contexto, desconectado da realidade urbana e econômica da capital.
O Sul da Ilha abriga o Aeroporto Internacional Hercílio Luz, hoje um dos mais modernos do país, recebe turistas do mundo inteiro, encanta com suas paisagens naturais e acolhe com a generosidade de seu povo. Mas o progresso não avança — ou melhor, é represado pela ignorância ou conveniência de poucos.
A desculpa da “falta de infraestrutura de saneamento” para barrar a verticalização já não se sustenta. Com as técnicas construtivas modernas, qualquer empreendimento de médio ou grande porte é capaz de implantar seu próprio sistema de tratamento de esgoto. A tecnologia existe, a expertise está disponível, e os recursos estão prontos para ser investidos. O que falta? Coragem política. Competência técnica. E vontade de destravar a cidade.
Enquanto Balneário Camboriú, Itapema, Porto Belo e até o Kobrasol, em São José, abraçaram a verticalização como vetor de riqueza, geração de empregos e arrecadação, o Sul da Ilha continua empacado. A pergunta que ecoa, sem resposta, é, por quê? Quem se beneficia dessa estagnação?
Florianópolis precisa parar de ter medo do próprio futuro.
O Sul da Ilha tem tudo para ser uma das regiões mais prósperas do Brasil.
Só falta deixarem crescer. Literalmente.
ADM. DILVO VICENTE TIRLONI – PRESIDENTE
Informações relevantes:
- População estimada da Região Sul – 100.000 habitantes
- Prédios em construção – 500 unidades
- Principal Equipamento Público – Aeroporto Hercilio Luz
- Principal Equipamento de Saúde – Multihospital (antigo aeroporto Florianópolis)
- Acesso ao Sul da Ilha de Florianópolis é pela rodovia SC-405
- Não há outra alternativa pública de transporte (exemplo transporte marítimo)
VERÃO FRUSTRADO – QUEDA TURISTAS ARGENTINOS E INFRAESTRUTURA PRECÁRIA – RECEITA DA TEMPORADA MEDÍOCRE – SEM PLANEJAMENTO E SEM INVESTIMENTO – COMO A CIDADE AFASTOU O TURISMO DE QUALIDADE
FLORIPA E CIDADES LITORÂNEAS – RESSACAS E DESTRUIÇÃO A TRAGÉDIA ANUNCIADA DO LITORAL – SEM QUEBRA-MAR, NÃO HÁ SALVAÇÃO – LITORAL CATARINENSE À BEIRA DO COLAPSO
CENTRALIDADES – QUEM É CONTRA A VERTICALIDADE É A FAVOR DO TRÂNSITO PARADO, AUSÊNCIA DE ESGOTO E DA CIDADE CARA – O AMBIENTALISMO DE FACHADA QUE EMPOBRECE FLORIANÓPOLIS – O MEDO DOS PRÉDIOS ALTOS PRODUZ FAVELAS
NINHOS DE FIOS – COMO A FIAÇÃO AÉREA DEFORMA A PAISAGEM URBANA DE FLORIANÓPOLIS – ENTRE ÁRVORES MUTILADAS E POSTES SATURADOS – O RETRATO DO ATRASO URBANO – A DESORDEM AÉREA QUE ENVERGONHA FLORIANÓPOLIS