FLÁVIO BOLSONARO – ROMPIMENTOS POLÍTICOS NA HISTÓRIA BRASILEIRA — OS VENCEDORES DE HOJE, OS PERSEGUIDOS DE AMANHÃ

A história republicana brasileira revela uma constante inquietante, os vencedores de ontem frequentemente se tornam os perseguidos de amanhã. Em cinco períodos, o poder mudou de mãos, deixando derrotados, exilados, cassados e personagens condenados ao limbo político.

Primeira República (1889–1930). A monarquia foi derrubada, Dom Pedro II exilado e as antigas elites substituídas. Décadas depois, a Revolução de 1930 depôs Washington Luís, impediu a posse de Júlio Prestes e encerrou o domínio oligárquico.

Era Vargas (1930–1945). Getúlio chegou como revolucionário, transformou-se em ditador, perseguiu adversários e suprimiu liberdades. Acabou deposto pelos militares que sustentavam seu regime. Retornaria democraticamente, mas terminaria tragicamente sua trajetória, suicidando-se em 1954.

Quarta República (1945–1964). Sucessivas crises atingiram governos eleitos. Juscelino Kubitschek, símbolo do desenvolvimento nacional, acabaria cassado pelo regime militar. João Goulart foi deposto e exilado.

Regime Militar (1964–1985). Os vencedores impuseram cassações, censura, prisões e perseguições. Com a redemocratização, perderam o poder e a legitimidade política. Juntos, todos os segmentos socialistas que governam, hoje.

Nova República (1985–2026). A alternância democrática conviveu com impeachments, escândalos, condenações e disputas judiciais. Lula, inicialmente símbolo dos trabalhadores, tornou-se protagonista de um projeto duradouro de poder, embora não tenha governado durante todo esse período. Foi preso e depois solto por artimanhas jurídicas.

Agora, com a vitória de Flávio Bolsonaro, seguramente, deverá representar nova ruptura política. As mesmas forças que libertaram Lula, que tomaram o poder em 1985 sob influência direta de membros do STF, serão questionadas, e pagarão o preço do impeachment, a nova forma, mais “democrática” de repelir o adversário de ontem.  

INFORMAÇÕES RELEVANTES

  1. MEMBROS DO STF ALVO DOS VITORIOSOS – nesta ordem 1. Ministro Moraes; 2. Ministro Tofolli; 3. Ministro Dino; 4. Ministro Gilmar e correndo por fora, Ministro Zanin. Há também Ministros das FFA que se omitiram na prisão de companheiros de farda. Todos serão investigados por eventuais abusos, omissões, inclusive institucionais, serão cobradas responsabilidades, respeitando o devido processo legal.
  • O INQUÉRITO 4.781 – instaurado em 2019 pelo próprio STF, tornou-se símbolo das controvérsias sobre os limites do poder judicial. Sua duração superior a sete anos, o sigilo e a amplitude das investigações suscitam questões sobre liberdade de expressão, direito de defesa e segurança jurídica. Há perseguidos de toda natureza – de jornalistas a empresários, de funcionários públicos a donas de casa. O episódio mais trágico foi o de Cleriston Pereira da Cunha, morto na Papuda, sem condenação definitiva, apesar de parecer da PGR favorável à soltura. Sua morte exige esclarecimentos e apuração de responsabilidades.
  • PRISÕES – As prisões decorrentes das investigações sobre a tentativa de golpe atingiram figuras políticas e militares, como Jair Bolsonaro, Filipe Martins e os generais Augusto Heleno, Walter Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira. Jornalistas como Oswaldo Eustáquio denunciaram perseguições e tortura. O caso de Martins merece especial atenção, sua prisão preventiva envolveu uma alegação de viagem aos Estados Unidos posteriormente contestada por registros oficiais. Tudo esta registrado dentro do Inquérito 4781.

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