TURISMO “PÉ DE CHINELO” – CANASVIEIRAS OU JURERÊ – DOIS MUNDOS, DUAS ECONOMIAS, TURISMO RICO X TURISMO POBRE – A ESCOLHA QUE FLORIANÓPOLIS PRECISA FAZER
O QUE IMPEDE CANASVIEIRAS (E OUTROS DISTRITOS) DE SE DESENVOLVER É O PLANO DIRETOR.
Prezados Vereadores,
Um amigo de longa data telefonou-me recentemente para relatar sua surpresa ao constatar as enormes diferenças entre os turistas que frequentam Jurerê Internacional, Praia Brava e Canasvieiras. A comparação é chocante e revela, de forma nua e crua, como o investimento urbano define o perfil econômico de um destino turístico.
Jurerê Internacional é um bairro bem planejado, urbanizado, com ruas largas e cuidadas, excelente nível de saneamento básico e prédios modernos, hoje já com seis a oito andares. O entorno é sofisticado, com restaurantes de alto padrão, beach clubs, pontos de encontro diurnos e noturnos e intensa vida social. O dinheiro circula, o consumo é elevado e a economia se mantém aquecida. Todos ganham, empresários, trabalhadores, prestadores de serviços, limpeza pública e, sobretudo, o poder público, que arrecada milhões em impostos, fortalecendo os cofres municipais.
Canasvieiras, por outro lado, apresenta o retrato inverso. Seu centro está abandonado, as ruas são malcuidadas, os alagamentos são frequentes e a infraestrutura urbana envelhecida. O perfil do turista é outro. É o visitante que busca o self-service de quarenta reais, os churros na praia, o picolé do carrinho. Não há nada de errado nisso em si, mas o problema é quando esse passa a ser o único padrão possível. A paisagem urbana reflete pobreza, prédios sem impacto visual, construções improvisadas, “puxadinhos” que transformam residências em pequenos alojamentos precários. São cubículos feitos para sobreviver, não para desenvolver.
Brinco, com certa ironia, que parece que funcionários do ANSES, do BPS e do IPS — equivalentes ao nosso INSS no Cone Sul — combinaram de almoçar diariamente em Canasvieiras, tamanha a concentração de turismo de baixíssimo poder aquisitivo. Economizam no prato, fazem algazarra, sentem-se em casa. Para eles é um paraíso barato. Para a cidade, é um desastre econômico.
A razão dessa divisão é simples, investimento. Jurerê apostou em verticalização controlada, qualidade arquitetônica, infraestrutura e serviços. Canasvieiras permaneceu presa a um modelo pobre, que só reproduz pobreza. Não gera empregos qualificados, não aumenta renda, não cria arrecadação significativa.
O que fazer?
Definir imediatamente um perímetro central em Canasvieiras e implantar uma OUC – Operação Urbana Consorciada. É o único caminho para dar nova cara ao distrito, atrair investidores, permitir criatividade arquitetônica e romper com o ciclo de decadência. Balneário Camboriú, Itapema, Porto Belo, Tijucas e até o Kobrasol provaram que é possível. Falta apenas coragem política.
ADM. DILVO VICENTE TIRLONI – PRESIDENTE
INFORMAÇÕES RELEVANTES
- https://movimentoliberaldiasvelho.com.br/canasvieiras-pode-mudar-como-investimento-privado-pode-financiar-a-cidade-gestao-publica-com-leis-rigidas-distritos-degradados-solucoes-modernas-ignoradas/
- FLORIPA/CANASVIEIRAS – Sistema de Saneamento Básico opera, precariamente. Vários pontos de praias impróprias para banho segundo o IMA.
- Tendência é piorar com os novos empreendimentos no Sapiens – JBS, UNIVALI, SUPERMERCADOS ANGELONI, transformação atual Terminal de Eventos em unidade de educação. É aguardado ainda, o Hospital e Maternidade do Norte da Ilha.
VERÃO FRUSTRADO – QUEDA TURISTAS ARGENTINOS E INFRAESTRUTURA PRECÁRIA – RECEITA DA TEMPORADA MEDÍOCRE – SEM PLANEJAMENTO E SEM INVESTIMENTO – COMO A CIDADE AFASTOU O TURISMO DE QUALIDADE
FLORIPA E CIDADES LITORÂNEAS – RESSACAS E DESTRUIÇÃO A TRAGÉDIA ANUNCIADA DO LITORAL – SEM QUEBRA-MAR, NÃO HÁ SALVAÇÃO – LITORAL CATARINENSE À BEIRA DO COLAPSO
CENTRALIDADES – QUEM É CONTRA A VERTICALIDADE É A FAVOR DO TRÂNSITO PARADO, AUSÊNCIA DE ESGOTO E DA CIDADE CARA – O AMBIENTALISMO DE FACHADA QUE EMPOBRECE FLORIANÓPOLIS – O MEDO DOS PRÉDIOS ALTOS PRODUZ FAVELAS
NINHOS DE FIOS – COMO A FIAÇÃO AÉREA DEFORMA A PAISAGEM URBANA DE FLORIANÓPOLIS – ENTRE ÁRVORES MUTILADAS E POSTES SATURADOS – O RETRATO DO ATRASO URBANO – A DESORDEM AÉREA QUE ENVERGONHA FLORIANÓPOLIS