SANEAMENTO EM CRISE – FLORIANÓPOLIS PAGA CARO E RECEBE POUCO. TARIFAS ALTAS, PRAIAS CONTAMINADAS E MODELO ESGOTADO – HORA DE REPENSAR O MODELO DE SANEAMENTO EM SC

Muitos moradores ainda acreditam que a CASAN — empresa de economia mista com 99,99% sob controle do Governo do Estado — representa a melhor solução para os serviços de água e esgoto em Florianópolis e na Região Metropolitana. Entretanto, os indicadores mais recentes mostram um cenário preocupante. No Ranking do Saneamento 2025, elaborado pelo Instituto Trata Brasil, a capital catarinense ocupa apenas o 48º lugar entre as 100 maiores cidades brasileiras, desempenho incompatível com o nível de desenvolvimento econômico e turístico da cidade.

Além disso, cresce entre a população a desconfiança quanto à qualidade da água distribuída. O consumo de água mineral aumenta significativamente em toda a Região Metropolitana, sinalizando perda de confiança no sistema público. Outro dado alarmante refere-se à balneabilidade das praias. Nos municípios de Biguaçu, Governador Celso Ramos, São José, Palhoça e Florianópolis, aproximadamente um terço dos pontos analisados apresenta contaminação. Somente na capital, dos 88 pontos monitorados, 22 foram considerados impróprios para banho, o equivalente a cerca de 33,8% (dados de 13/03/2025). O problema é generalizado, atingindo o Continente e diversas regiões da Ilha.

Não se pode atribuir esse quadro apenas à falta de recursos. O principal entrave parece estar no modelo de gestão. A CASAN atende 194 municípios, o que dilui sua capacidade de investimento e planejamento. Na prática, a empresa tende a priorizar localidades que exercem maior pressão política ou institucional. Mesmo praticando a tarifa mais elevada entre as capitais do Sul, os serviços prestados continuam aquém do esperado.

Os dados tarifários reforçam essa percepção. Para um consumo de 50 m³, o valor total cobrado pela CASAN (água e esgoto), POR M3, chega a R$ 36,18, superior ao praticado por operadoras como SANEPAR (R$ 29,38), SABESP (R$ 31,90) e Joinville (R$ 24,63). Soma-se a isso o elevado nível de endividamento da companhia, que ultrapassa R$ 2 bilhões, com financiamentos sujeitos a juros, prazos e atualização monetária, incompatíveis com o segmento.

Diante desse contexto, torna-se indispensável repensar o modelo de saneamento, buscando soluções mais eficientes, sustentáveis e alinhadas às necessidades dos moradores da cidade e de toda a Região Metropolitana.

ADM. DILVO VICENTE TIRLONI – PRESIDENTE

INFORMAÇÕES RELEVANTES

  1. A Prefeitura de Chapecó anunciou em fevereiro de 2026 o rompimento do contrato com a CASAN devido à má qualidade dos serviços, falta de água e investimentos insuficientes.
  • Celso Ramos conta com SAMAE/publico e Palhoça com Águas de Palhoça/privado, sistemas independentes da CASAN. AEGEA, anunciou investimentos da ordem de 60 milhões em Palhoça.
  • Atualmente a CASAN opera 194 municípios. O Modelo se mostra francamente, incompatível com as necessidades de Investimentos. SC, tem um quadro sanitário pior do que os Estados do Nordeste.

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