CASAN EM TIMBÓ – EXPANSÃO TEMERÁRIA, CONTA NO “COLO” DA REGIÃO METROPOLITANA – ENDIVIDADA ATÉ OS DENTES, CASAN PROMETE O QUE TALVEZ NÃO POSSA ENTREGAR
TIMBÓ NÃO CONTA COM SISTEMA DE SANEAMENTO. OPERA ATRAVÉS DE FOSSAS SEPTICAS.
A vitória da CASAN no leilão de Timbó (10/06/2026/, B3-SP) com promessa de outorga de R$ 60 milhões, desconto tarifário de 15% e contrato estimado em R$ 1,95 bilhão por 35 anos, merece exame duro. À primeira vista, parece uma conquista empresarial. Na realidade, à luz dos próprios números da companhia, tem aparência de aventura gerencial.
A CASAN não deveria estar assumindo novos compromissos dessa dimensão enquanto não demonstrar capacidade plena de investir onde já arrecada fortemente. Florianópolis, São José e a Região Metropolitana carregam a empresa nas costas. Em 2025, a Região Metropolitana respondeu por R$ 1,141 bilhão, ou 47,69% da receita estadual da companhia. Só Florianópolis gerou R$ 665,9 milhões, quase 60% da receita regional. São José acrescentou mais R$ 242,7 milhões. São esses usuários que sustentam a máquina.
A pergunta é inevitável – se a Região Metropolitana é a galinha dos ovos de ouro da CASAN, por que ainda sofre com deficiências em esgoto, investimentos lentos, obras demoradas e serviços discutíveis? Como explicar que uma empresa sem sobra financeira evidente para resolver Floripa e entorno vá agora prometer modernização em Timbó?
O quadro de endividamento é ainda mais preocupante. A dívida geral teria saltado de R$ 1,659 bilhão em 2022 para R$ 3,958 bilhões em 2025, crescimento de 238,56%. O endividamento nacional, especialmente por fundos creditórios, debêntures, bancos e notas comerciais, revela dependência crescente de financiamento caro e de curto prazo. São mais de 2,3 bilhões, onde foram parar estes recursos? Isso não parece estratégia de expansão saudável; parece sobrevivência financeira.
Timbó pode ter sido seduzida por uma proposta agressiva, mas a conta real poderá ser paga pelos usuários de outros municípios, especialmente da Grande Florianópolis. A CASAN deveria primeiro cumprir bem o que já deve, investir onde já arrecada e sanear sua própria estrutura financeira. Expandir sem fôlego é imprudência; no saneamento, imprudência vira tarifa alta, obra atrasada e promessa não cumprida.
ADM. DILVO VICENTE TIRLONI PRESIDENTE
INFORMAÇÕES RELEVANTES:
- Responsabilidade da CASAN e Timbó
Causa perplexidade a decisão dos gestores de Timbó. Antes de entregar o saneamento do município por 35 anos, cabia uma avaliação rigorosa da real situação econômico-financeira da CASAN. Os números disponíveis indicam uma companhia altamente endividada, com forte dependência de receitas geradas por Florianópolis e pela Região Metropolitana, além de limitada capacidade própria de investimento.
- Quadro do Faturamento da CASAN 2025
De acordo com este quadro, quem vai “investir” na cidade são as Regiões do quadro abaixo. Um atentado à Lei Federal nº 11.445/2007, conhecida como Lei Nacional de Saneamento Básico, e atualizada pelo Novo Marco Legal do Saneamento, instituída pela Lei Federal nº 14.026/2020. Tarifas devem ser aplicadas nos municípios onde são geradas.
| Região | Água 2025 | Esgoto/2025 | TOTAL | % |
| Metropolitana (Floripa&Cia.) | 806.315 | 334.870 | 1.141.185 | 47,69 |
| Sul Serra | 350.390 | 97.453 | 447.843 | 18,71 |
| Oeste | 384.391 | 74.767 | 459.158 | 19,18 |
| Norte Vale | 312.532 | 32.776 | 345.308 | 14,42 |
| Total | 1.853.628 | 539.866 | 2.393.494 | 100,00 |
- Endividamento da CASAN
O quadro de endividamento da CASAN é alarmante. A dívida geral saltou de R$ 1,659 bilhão em 2022 para R$ 3,958 bilhões em 2025 (2,299 bilhões) crescimento de 238,56%. O avanço das debêntures, fundos creditórios e notas comerciais revela dependência crescente de recursos financeiros caros e de curto prazo. Não é expansão, parece estratégia de sobrevivência. Financiamentos para o segmento deveriam ser de 15 a 20 anos.
- RESPONSABILIDADE DE QUEM FISCALIZA
Que este artigo sirva de alerta aos deputados das diferentes regiões de Santa Catarina, para que analisem com rigor o grave equívoco gerencial cometido pela CASAN contra suas municipalidades. Serve também aos vereadores dos municípios atingidos, que têm o dever de fiscalizar contratos, tarifas, investimentos e endividamento. E, sobretudo, ao Ministério Público, para que averigue se a expansão da companhia, sem aparente capacidade financeira correspondente, configura uma fraude gerencial contra os usuários e contra o interesse público. Timbó (SC) no SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento) revela que o município não possui rede pública de esgoto estruturada, dependendo essencialmente de soluções individuais (fossa séptica/filtro)
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