ORÇAMENTO ESTADUAL –  INCONSISTÊNCIAS E DESAFIOS SOB A ÓTICA LIBERAL

A peça orçamentária estadual apresenta-se como um exemplo de técnica financeira bem estruturada, transmitindo a impressão de que não há equívocos em sua composição. Com um montante de R$ 52,6 bilhões, distribuídos entre Despesas Correntes e Despesas de Capital (Investimentos), o documento, à primeira vista, parece sólido.

No entanto, uma análise mais atenta revela inconsistências preocupantes do ponto de vista da doutrina liberal.

O primeiro ponto crítico é que o orçamento reflete a Estrutura Orgânica do Estado, ou seja, registra as receitas, e despesas vinculadas aos Centros de Custos do Governo Estadual. Essa estrutura administrativa, composta por 25 secretarias e 28 empresas e autarquias, não é apenas complexa como também confronta os princípios do liberalismo político e econômico, pela sua magnitude. Algumas dessas empresas geram receitas, mas, em muitos casos, dependem de apoios governamentais para investimentos, contrariando o ideal liberal de intervenção estatal mínima.

A doutrina liberal defende que tudo o que pode ser feito por iniciativa privada será realizado de maneira mais eficiente e com custos menores. Apesar disso, o Estado de Santa Catarina, só para se ter um exemplo, destina uma quantia expressiva, R$ 488.991.000,00, para subsidiar dois portos e uma Zona Franca, valores que poderiam ser otimizados caso essas operações fossem conduzidas pelo setor privado.

Outro ponto que merece destaque é a alocação insuficiente de recursos para investimentos em infraestrutura, abrangendo áreas cruciais como comunicações, energia, saneamento, habitação, transportes e defesa civil. Embora a infraestrutura seja um motor de crescimento econômico, apenas 12,68% do orçamento de 2025 será destinado a esses setores, muito aquém da média de 25% a 30% aplicada por países com gestão eficiente. Além disso, a falta de transparência torna difícil identificar de forma clara os valores alocados para essas áreas, exigindo um esforço específico para compreender os números.

Por fim, há uma questão controversa no que diz respeito aos orçamentos dos outros dois poderes. A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC) recepciona R$ 1,7 bilhão, enquanto o Poder Judiciário do Estado recebe R$ 5,7 bilhões (somando MPSC e DEFENSORIA). Esses valores levantam questionamentos sobre a eficiência e a proporcionalidade dos recursos destinados a essas instituições, o que será abordado de maneira mais detalhada em outra oportunidade.

ADM. DILVO VICENTE TIRLONI
Presidente

DESPEAS ORÇAMENTÁRIAS 2025

DESPESAS 2025EM REAIS%
DESPESAS CORRENTES45.986.791.30687,32
DESPESAS DE CAPITAL6.678.794.27712,68
TOTAL52.665.585.583100,00
UNIDADE ORÇAMENTÁRIAEm Reais
PODER LEGISLATIVO 
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA ESTADO SC1.173.691.549
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE SC554.973.388
SUBTOTAL1.728.664.937
PODER JUDICIARIO 
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SC3.313.339.615
FUNDO DE REAPARELHAMENTO DA JUSTIÇA733.097.892
SUBTOTAL4.046.437.507
FUNDOS E SECRETARIAS46.891.483.133
TOTAL52.666.585.577

APORTES EM ESTATAIS 2025

ESTATAISEM REAIS
Centrais de Abastecimento do Estado de SC 1.450.000
SC Participações e Parcerias S.A.1.875.000
Sapiens Parque S.A.5.000.000
Companhia Hidromineral Caldas da Imperatriz5.700.000
Imbituba Zona de Processamento de Exportação 7.500.000
Centro de Informática Estado de Santa Catarina 20.832.500
CELESC Geração S.A.76.812.662
Companhia de Gás de Santa Catarina81.434.288
SCPar Porto de Imbituba S.A.110.921.000
Companhia Catarinense de Águas e Saneamento336.386.392
SCPar Porto de São Francisco do Sul S.A.370.570.000
Agência de Fomento do Estado de SC S.A. BADESC550.000.000
CELESC Distribuição S.A.1.306.670.000
TOTAL2.875.151.842

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