CENTRALIDADES E A CIDADE FRAGMENTADA (CIDADE DE 15 MINUTOS) EM FLORIPA

A centralidade é entendida como um processo inerente ao fenômeno urbano. Representa a essência da cidade, reunindo, simultaneamente, múltiplas possibilidades de interação social e configurando-se como elemento estruturador do espaço. Em Florianópolis, cuja principal base territorial está localizada em uma ilha, a centralidade ganha relevância estratégica, diria, de forma natural, posto a criação histórica de “centros distritais” bem definidos.

A Política de Fortalecimento da Multicentralidade (prevista no artigo 15 de nosso Plano Diretor), proposta nos debates urbanísticos recentes, aponta nesse sentido, consolidar centralidades já existentes e estimular novas, articuladas com áreas de preservação, lazer e melhoria dos equipamentos sociais. O objetivo é equilibrar o uso do solo, gerar empregos e garantir acessibilidade por meio do transporte coletivo.

Historicamente, a discussão urbana em Florianópolis foi marcada por influências da Carta de Atenas (1933), liderada por Le Corbusier. A “Cidade Funcional” propunha separar funções em habitação, trabalho, lazer e circulação, originando rígidos zoneamentos. Essa lógica chegou à capital catarinense com o Plano Diretor (PD) de 1997, que instituiu macro e micro zoneamentos, muitas vezes sem propósito claro. Posteriormente, em 2006, uma nova tentativa resultou em outro documento extenso e pouco objetivo, o que contribuiu para insegurança jurídica e entraves ao desenvolvimento. Recentemente (2023) novas alterações, mas ainda insuficientes. Nosso PD é um monumento ao atraso.

A crítica recai sobre a proliferação de artigos e tabelas, como a F01 (limites de usos) e F02 (adequação de ocupação), que chegam ao detalhe de regular lavanderias ou jogos de bilhar, ao mesmo tempo em que impõem restrições arbitrárias à verticalização em alguns distritos. Esse excesso de normas não assegura equilíbrio ambiental ou social, pelo contrário, cria obstáculos ao investimento, ao emprego e à renda.

Diante das transformações tecnológicas e sociais, a rigidez da “cidade funcional” (prevista em nosso PD) perde força. O modelo contemporâneo é o da “cidade fragmentada”, onde comércio, serviços, habitação e lazer coexistem nos mesmos espaços. Essa lógica não dissolve as centralidades, ao contrário, ajuda a preservá-las e até multiplicá-las. No caso de Floripa, a fragmentação pode ser uma vantagem. Ela permite que os diferentes distritos da Ilha mantenham identidades próprias e centralidades ativas, sem depender de uma única área dominante, equilibrando desenvolvimento e qualidade de vida.

ADM. DILVO VICENTE TIRLONI PRESIDENTE

  1. Exemplo de cidade funcional – o Projeto Sapiens Parque onde se privilegiam os segmentos de tecnologia e não se indica o segmento habitacional, hotéis e entretenimentos. O usuário deste local precisa de um automóvel para ir ao Serviço, comprar uma caixa de remédios ou ir a um cinema.  
  2. Exemplo de cidade fragmentada – o projeto da Hurbana “Cidade Criativa Pedra Branca”, na Palhoça, serviços, comércio e habitação, integrados.
  3. Floripa tem uma multicentralidade construída, naturalmente. É preciso aproveitar estas experiências e ampliar os segmentos habitacionais (verticalidade), de entretenimento, comércio e serviços. São 18 distritos, cada um com suas especificidades. Podemos ter 18 cidades fragmentadas.
  4. O nome atual para conceito de cidade fragmentada é “CIDADE DE 15 MINUTOS”

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