DA CIDADE FUNCIONAL À CIDADE DE 15 MINUTOS – REPENSANDO O FUTURO DOS DISTRITOS DE FLORIANÓPOLIS
Florianópolis, com seus 18 distritos (art.341-b PD), carrega uma vocação natural para o conceito de “cidade fragmentada”, na medida em que apresenta uma organização territorial já dividida em núcleos. No entanto, esse potencial ainda está longe de se concretizar. A fragmentação urbana, no sentido contemporâneo, não se refere apenas à divisão espacial, mas sobretudo à integração de funções dentro de cada fragmento. Em outras palavras, não basta ter distritos; é necessário que, dentro deles, existam os bens e serviços essenciais — energia, comunicação, habitação, saneamento, transporte, equipamentos comunitários, comércio e serviços — de modo que a vida cotidiana se realize sem depender de deslocamentos constantes.
O problema é que a herança do urbanismo funcionalista, inspirado pelo Congresso de Atenas de 1933 e absorvido pelo Plano Diretor de Florianópolis, ainda molda a lógica da cidade. A ideia de que cada atividade deve ter seu espaço específico — habitar em um lugar, trabalhar em outro e consumir em outro — continua impregnada na mentalidade coletiva. Mesmo em grandes condomínios, com mais de cem apartamentos, raramente se pensa em reservar espaço para um minimercado ou uma farmácia. O resultado é uma cidade que, em vez de reduzir deslocamentos, os multiplica. O automóvel se torna a extensão obrigatória da residência, perpetuando congestionamentos, poluição e perda de qualidade de vida.
Nesse contexto, os debates recentes promovidos em Florianópolis são emblemáticos. A presença de Carlos Moreno, idealizador da “Cidade de 15 Minutos”, e de Jan Gehl, arquiteto que defende o urbanismo voltado ao pedestre e ao ciclista, reforça a urgência de repensar a capital catarinense. A “evangelização urbana” promovida por instituições como o Instituto Pedra Branca mostra que a cidade precisa migrar da retórica para a prática. Moreno propõe a proximidade radical, tudo a quinze minutos de casa, caminhando ou pedalando. Gehl lembra que cidades são feitas para pessoas, não para carros.
O desafio de Florianópolis, portanto, não é apenas planejar novos distritos, mas reconfigurar os existentes para que sejam autossuficientes, humanos e sustentáveis. A transição da cidade funcional para a cidade fragmentada exige coragem política, inovação urbanística e, sobretudo, uma mudança cultural, abandonar a lógica do deslocamento compulsório e abraçar a proximidade como valor central da vida urbana.
ADM DILVO VICENTE TIRLONI PRESIDENTE
- Quem é Carlos Moreno – é um pesquisador, cientista e professor franco-colombiano do IAE – Universidade Paris 1 Sorbonne. Ele foi cofundador da Cátedra ETI “Empreendedorismo – Território – Inovação” e conduziu pesquisas sobre cidades inteligentes e sustentáveis.
- Quem é Jan Gehl Hon – é um arquiteto e consultor de design urbano dinamarquês radicado em Copenhague, cuja carreira se concentra em melhorar a qualidade de vida urbana, reorientando o design urbano para o pedestre e o ciclista.
- Quais os fundamentos do Plano Diretor de Floripa – Estão lastreados em conceitos da Carta de Atenas de 1933, um manifesto de urbanismo funcionalista propondo a separação das funções da cidade em HABITAR, TRABALHAR, RECRIAR E CIRCULAR, promovendo o zoneamento do espaço urbano. É um monumento ao atraso.
VERÃO FRUSTRADO – QUEDA TURISTAS ARGENTINOS E INFRAESTRUTURA PRECÁRIA – RECEITA DA TEMPORADA MEDÍOCRE – SEM PLANEJAMENTO E SEM INVESTIMENTO – COMO A CIDADE AFASTOU O TURISMO DE QUALIDADE
FLORIPA E CIDADES LITORÂNEAS – RESSACAS E DESTRUIÇÃO A TRAGÉDIA ANUNCIADA DO LITORAL – SEM QUEBRA-MAR, NÃO HÁ SALVAÇÃO – LITORAL CATARINENSE À BEIRA DO COLAPSO
CENTRALIDADES – QUEM É CONTRA A VERTICALIDADE É A FAVOR DO TRÂNSITO PARADO, AUSÊNCIA DE ESGOTO E DA CIDADE CARA – O AMBIENTALISMO DE FACHADA QUE EMPOBRECE FLORIANÓPOLIS – O MEDO DOS PRÉDIOS ALTOS PRODUZ FAVELAS
NINHOS DE FIOS – COMO A FIAÇÃO AÉREA DEFORMA A PAISAGEM URBANA DE FLORIANÓPOLIS – ENTRE ÁRVORES MUTILADAS E POSTES SATURADOS – O RETRATO DO ATRASO URBANO – A DESORDEM AÉREA QUE ENVERGONHA FLORIANÓPOLIS