FLORIPA E CIDADES LITORÂNEAS –  RESSACAS E DESTRUIÇÃO   A TRAGÉDIA ANUNCIADA DO LITORAL – SEM QUEBRA-MAR, NÃO HÁ SALVAÇÃO – LITORAL CATARINENSE À BEIRA DO COLAPSO

ESSES BLOCOS PREFABRICADOS PODEM SER SUBSTITUIDOS POR PEDRAS FORMANDO UM QUEBRA MAR ROBUSTO E RESISTENTE.

O drama do engordamento de praias em Florianópolis e em diversos municípios do litoral catarinense revela um problema estrutural que vai muito além de simples recomposição de areia. As cidades litorâneas estão cada vez mais expostas à força do Atlântico, potencializada pela elevação gradual do nível do mar e pela maior frequência de ressacas intensas. O degelo das calotas polares, especialmente no Ártico, amplia o volume de água dos oceanos e pressiona diretamente as zonas costeiras, tornando frágeis soluções baseadas apenas no alargamento artificial da faixa de areia.

A experiência internacional mostra que o fenômeno é global. Em Palma de Maiorca, no Mediterrâneo (ESTIVE POR LÁ ANO PASSADO), observa-se a adoção de estruturas robustas formadas por tetrápodes, também chamados de “pé-de-galinha”. São blocos de concreto em formato tetraédrico que se encaixam entre si, dissipando a energia das ondas e permitindo a passagem controlada da água. O resultado é a quebra da força destrutiva do mar antes que ela atinja a linha de costa, protegendo tanto a praia quanto a infraestrutura urbana. (Material rochoso, em quantidade em nossas regiões, pode ser outra alternativa)

No Brasil, a solução mais recorrente tem sido o engordamento de praias, como ocorreu em Balneário Camboriú, Itapoá, Florianópolis e outros municípios. Em Florianópolis, por exemplo, a Praia dos Ingleses recebeu investimentos de cerca de R$ 19 milhões para alargamento da faixa de areia. Entretanto, parte significativa desse material foi rapidamente removida pelas correntes marítimas durante as ressacas. Isso demonstra que, em áreas de mar aberto e alta energia, a areia sozinha não é suficiente para resistir ao impacto contínuo das ondas.

Situações semelhantes se repetem em Itapema, Barra Velha, São Francisco do Sul e Garopaba, onde decretos de emergência se tornaram frequentes. Destruição de calçadões, queda de postes, erosão de vias públicas e ameaça direta a edificações evidenciam que o problema deixou de ser pontual e passou a ser sistêmico. A repetição constante dos danos mostra que a política de simples recomposição de areia funciona apenas como solução temporária, cara e de curta duração.

Diante desse cenário, torna-se evidente que, notadamente em mar aberto, a única resposta tecnicamente consistente é a implantação de estruturas de proteção marítima, como tetrápodes ou quebra-mares. Essas obras atuam na origem do problema, reduzem a energia das ondas antes que elas alcancem a praia. Sem esse tipo de contenção, qualquer política de engordamento continuará sendo apenas um paliativo caro diante da força implacável do Atlântico.

ADM. DILVO VICENTE TIRLONI PRESIDENTE

  • Florianópolis, Balneário Camboriú, Itapoá, Itapema, Barra Velha, São Francisco do Sul, são vítimas frequentes de ressacas e destruição de equipamentos públicos e privados.
  • Tetrápodes são blocos de concreto com quatro braços, projetados para dissipar a energia das ondas e proteger a costa, formando quebra-mares e reforçando diques e espigões. DIQUES são barreiras paralelas à costa e ESPIGÕES são estruturas perpendiculares à costa, de pedras ou concreto.
  • As praias de Florianópolis mais afetadas por ressacas e erosão são Praia dos Ingleses, Campeche, Matadeiro, Morro das Pedras, Praia Brava , Praia Mole e Santinho , com destaque para os Ingleses

Deixe seu comentário