NINHOS DE FIOS –  COMO A FIAÇÃO AÉREA DEFORMA A PAISAGEM URBANA DE FLORIANÓPOLIS – ENTRE ÁRVORES MUTILADAS E POSTES SATURADOS –  O RETRATO DO ATRASO URBANO –  A DESORDEM AÉREA QUE ENVERGONHA FLORIANÓPOLIS

OBSERVE AS IMAGENS CAÓTICAS DA AV RIO BRANCO, RUA BOCAIUVA, AV.TROMPOWSKY

Florianópolis convive com três grandes desafios estruturais — habitação popular, saneamento básico e mobilidade urbana. À margem desses problemas centrais, há um quarto que insiste em nos agredir diariamente e que costuma ser tratado como detalhe, o caos das fiações aéreas. Trata-se de um erro histórico, estético e funcional que mutila árvores, degrada calçadas e impõe à cidade um cenário visual indigno de sua beleza natural.

Basta percorrer a Avenida Rio Branco para constatar o absurdo. Árvores são violentamente podadas — quando não deformadas de maneira grotesca — apenas para abrir espaço a um emaranhado de fios. A elegante Avenida Trompowsky, assim como a Frei Caneca, a Bocaiuva e tantas outras, sofre do mesmo mal. No norte da Ilha, a Avenida Luiz B Piazza. O que deveria ser sombra, conforto térmico e paisagem virou obstáculo a uma infraestrutura arcaica.

Tudo começou com as linhas da CELESC. Depois vieram as operadoras de telefonia, internet e TV a cabo, (VIVO, CLARO, TIM BRASIL, OI, ALGAR TELECOM) numa superposição desordenada que transformou os postes em verdadeiros “ninhos aéreos”. O resultado é poluição visual severa, risco constante de acidentes, queda de cabos em dias de vento ou chuva e uma relação permanente de conflito com a arborização urbana.

Esse problema não é exclusivo de Florianópolis, mas aqui ele é ainda mais revoltante, dada a vocação turística e paisagística da cidade. Estima-se que o Brasil tenha milhões de postes sobrecarregados, muitos com fios inativos que jamais são removidos. A fiscalização é frouxa, e as concessionárias — que faturam bilhões — devolvem à sociedade desordem e feiura.

Há solução? Claro que há. O subterramento das redes é caro, mas plenamente viável se encarado como projeto de longo prazo, com cronograma, prioridades e exigência de contrapartidas das concessionárias. Onde não for possível enterrar, é imperativo ao menos organizar, limpar e retirar cabos obsoletos.

Sugiro ao prefeito Topázio Neto, que vem falando em “descobrir a cidade invisível”, que enfrente também esse tema. As fiações aéreas são verdadeiros espetos visuais cravados na paisagem urbana. Removê-los não é luxo, é respeito à cidade, à natureza e ao cidadão.

ADM. DILVO VICENTE TIRLONI PRESIDENTE

INFORMAÇÃO RELEVANTE

  1. As operadoras e empresas de telecomunicações que utilizam os postes da CELESC o fazem por meio de contratos formais de compartilhamento, firmados com empresas autorizadas pela Anatel. Não há uma lista pública única com todas as ocupantes, mas o uso é permitido mediante pagamento e regras técnicas. Parte da fiação visível, contudo, pode ser irregular ou instalada sem autorização, agravando a desordem urbana. TODOS GANHAM, O ÚNICO PERDEDOR É O MUNÍCIPIO.
  2. A Solução passa pela canalização subterrânea que é caro, mas plenamente viável. Ao compartilhar os investimentos com todas as operadoras e a própria CELESC, o custo para o município, será mínimo. O projeto é de longo prazo e passa pelas “ruas emergenciais” da cidade.
  3. A rede subterrânea tradicional pode custar entre 7 a R$ 10 milhões por quilômetro. Embora o custo de instalação seja alto, o custo de operação e manutenção é significativamente menor, aproximadamente um terço do ar.

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