CASAN – LUCRO OU ILUSÃO –  A CONTA BILIONÁRIA CAI NO COLO DO CONSUMIDOR – TARIFAS ABUSIVAS, DÍVIDA EXPLOSIVA,JUROS, E UM LUCRO QUE NÃO CONVENCE.  

Meu Deus, o que estão fazendo com a CASAN? A empresa parece ter se transformado em um verdadeiro moedor de tarifas, uma máquina de pagar juros e, ao mesmo tempo, prestadora de serviços que não acompanham o peso cobrado da população. Os números, quando analisados com seriedade, são alarmantes.

A estatal voltou ao centro do debate ao anunciar, de forma ufanista, um lucro líquido de R$ 387 milhões sobre receitas superiores a R$ 2,1 bilhões. O percentual — cerca de 18,4% — impressiona. Mas esse resultado, longe de refletir eficiência genuína, esconde um problema estrutural profundo. É justo reconhecer que a empresa segue boas práticas de governança, alinhadas à Lei 13.303/2016, sem indícios relevantes de corrupção estrutural. O problema, portanto, não é a gestão operacional, mas o modelo.

Criada sob a lógica dos anos 1970, a CASAN opera em 194 municípios, todos demandando investimentos intensivos em água e esgoto. No entanto, seu controlador — o Governo do Estado — praticamente se omite no aporte de capital. Entre 2023 e 2025, foram apenas R$ 245 milhões, valor insuficiente até mesmo para atender às necessidades de Florianópolis. Sem capital próprio, a empresa recorreu ao caminho mais fácil — e mais perigoso, financiamentos de curto prazo e juros elevados.

O resultado é devastador. A dívida saltou de R$ 1,65 bilhão em 2022 para R$ 3,95 bilhões em 2025 — um crescimento de 138%. E o custo disso é brutal, R$ 743,6 milhões pagos em juros. Uma cifra que, por si só, revela a distorção do modelo. Pior – parte significativa desses empréstimos — cerca de R$ 1 bilhão — não foi destinada a investimentos estruturantes, como recomenda a boa doutrina financeira, mas ao pagamento de juros e despesas correntes.

Aqui reside o ponto mais grave. Essa prática se aproxima do que a legislação classifica como gestão temerária, nos termos da Lei 7.492/1986 — quando decisões imprudentes colocam em risco o patrimônio da instituição. A CASAN, ao invés de investir para expandir e qualificar o saneamento, entra em um ciclo vicioso, endivida-se para pagar juros, eleva tarifas para sustentar a dívida e entrega serviços aquém do esperado.

Persistir nesse modelo é condenar a empresa e a população a um caminho insustentável. Urge repensar, com seriedade, o futuro do saneamento em Santa Catarina.

ADM. DILVO VICENTE TIRLONI – PRESIDENTE

INFORMAÇÕES RELEVANTES

  1. Faturamento da CASAN exercício 2025 – R$2.168.120.000,00

2. Lucro Líquido – R$387.059.000,00

3. Juros pagos nos últimos 03 anos: R$743.612.000,00 (dobro do Lucro)

4. Investimentos 2025 em Florianópolis, que leva a CASAN nas costas, meros 76 milhões (10% do que se pagou em juros)

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