BRASIL03 – UMA NOVA AGENDA NACIONALFEDERALISMO DE FAZ DE CONTA – QUANDO O VOTO DE UNS VALE MAIS QUE O DE OUTROS – A REPÚBLICA PROMETEU FEDERALISMO E ENTREGOU CENTRALIZAÇÃO
A República brasileira nasceu prometendo Federação. Passados mais de 130 anos, entregou-nos um país em que Brasília arrecada, regulamenta, distribui recursos, impõe regras e interfere cada vez mais na vida de Estados e Municípios. Chamamos de Federação aquilo que, na prática administrativa, frequentemente funciona com forte centralização.
Essa contradição começa no próprio Congresso.
O Senado possui 81 membros, três para cada Estado e para o Distrito Federal, independentemente do tamanho de sua população. O princípio foi criado para garantir igualdade entre os Estados. Mas seu efeito sobre o peso político dos eleitores é gigantesco. Os números de 2026 são desconcertantes.
O Sudeste reúne 66,3 milhões de eleitores, 41,78% do eleitorado brasileiro, e possui apenas 12 senadores. O Norte, com 13,1 milhões de eleitores, ou 8,26%, possui 21 senadores. Norte e Nordeste, juntos, concentram cerca de 35,7% do eleitorado, mas controlam 48 das 81 cadeiras do Senado — 59,3% da Casa.
E há um exemplo ainda mais contundente.
São Paulo possui aproximadamente 34,1 milhões de eleitores. Roraima, cerca de 402 mil. Ambos elegem três senadores. Isso significa que, na composição do Senado, um eleitorado aproximadamente 85 vezes maior produz exatamente a mesma representação. Em menor proporção acontece o mesmo na Câmara dos Deputados.
O problema torna-se ainda mais relevante porque é o Congresso que aprova leis, tributos, reformas constitucionais e grande parte das regras que determinam o funcionamento da Federação.
Por isso proponho aos candidatos discutirem duas mudanças.
Na Câmara dos Deputados, voto distrital misto, aproximando representante e representado.
No Senado, uma fórmula intermediária de representação, preservando um número mínimo por Estado, mas acrescentando cadeiras conforme o tamanho do eleitorado. Por exemplo, até 1 milhão = 1 senador; 1 a 2,3 milhões = 2; 2,3 a 6,5 milhões = 3; 6,5 a 12 milhões = 4; acima de 12 milhões = 5.
O Brasil precisa parar de tratar sua arquitetura institucional como intocável. Federalismo não pode ser apenas uma palavra escrita na Constituição. Precisa significar equilíbrio de poder, responsabilidade local e representação política capaz de combinar Estados fortes com cidadãos politicamente respeitados.
ADM. DILVO VICENTE TIRLONI PRESIDENTE
INFORMAÇÕES RELEVANTES
SENADO — COMPOSIÇÃO ATUAL E PROPOSTA
| Região | Estados/DF | Eleitores 2026 | Senado atual | Nova proposta |
| Norte | AC, AP, AM, PA, RO, RR, TO | 13.109.354 | 21 | 16 |
| Nordeste | AL, BA, CE, MA, PB, PE, PI, RN, SE | 43.529.845 | 27 | 27 |
| Centro-Oeste | DF, GO, MT, MS | 11.997.001 | 12 | 12 |
| Sudeste | ES, MG, RJ, SP | 66.329.375 | 12 | 17 |
| Sul | PR, RS, SC | 22.861.012 | 9 | 9 |
| TOTAL | 26 Estados + DF | 157.826.587* | 81 | 81 |
Regra Proposta
| Eleitorado do Estado/DF | Senadores |
| Até 1 milhão | 1 |
| Acima de 1 até 2,3 milhões | 2 |
| Acima de 2,3 até 6,5 milhões | 3 |
| Acima de 6,5 até 12 milhões | 4 |
| Acima de 12 milhões | 5 |
| TOTAL | 81 |
BRASIL02 – UMA NOVA AGENDA NACIONAL – O FUTURO ELEITORAL – A REFORMA ELEITORAL, VOTO DISTRITAL E URNAS AUDITÁVEL
GRANDE FLORIANÓPOLIS SEM VOZ PRÓPRIA NA CÂMARA FEDERAL – QUASE 900 MIL ELEITORES E NENHUM DEPUTADO FEDERAL – VOTO DISTRITAL, CADA REGIÃO COM SEU REPRESENTANTE
SEGURANÇA SEM CENTRALIZAÇÃO – FACÇÕES COMO TERRORISMO – MAIS FEDERAÇÃO, MENOS MINISTÉRIOS
EDUCAÇÃO – SANTA CATARINA AVANÇA E FLORIANÓPOLIS SE TORNA REFERÊNCIA IDEB 2025 – O SALTO DA EDUCAÇÃO CATARINENSE