PONTA DO CORAL EM VEZ DE RENDA, A CONSAGRAÇÃO DA PRECARIEDADE – ENTRE O DESENVOLVIMENTO E A ESTAGNAÇÃO

TURISMO, TRABALHO E RENDA FORAM DEIXADOS DE LADOQUANDO A IDEOLOGIA IMPEDE FLORIANÓPOLIS DE AVANÇAR

A Ponta do Coral, na Avenida Beira-Mar Norte, bairro Agronômica, é uma das áreas urbanas mais valiosas e estratégicas de Florianópolis. Durante anos, discutiu-se ali a implantação de um complexo turístico com hotel, marina, áreas de lazer e espaços públicos. O projeto Parque Hotel Marina Ponta do Coral foi apresentado como empreendimento de grande porte, prevendo também áreas abertas à população e a reorganização dos ranchos de pesca existentes.

O debate, naturalmente, deveria ter sido técnico, avaliar impactos ambientais, interesse público, mobilidade, acesso à orla, geração de empregos e contrapartidas urbanísticas. Contudo, o empreendimento enfrentou anos de impasses administrativos, disputas judiciais e oposição política, das forças do atraso, ficando paralisado. O resultado concreto é conhecido, uma área nobre da cidade permanece sem solução urbanística definitiva, sem parque plenamente implantado, sem empreendimento turístico, sem estrutura moderna para quem trabalha no local e o que é pior, com presença frequente de vândalos e desempregados.

Agora, a União criou o Projeto de Assentamento Agroextrativista Pesqueiro da Ponta do Coral. A Portaria nº 1.941/2026/ Incra, abrange aproximadamente um hectare e reconhece a área como base de atividade para cerca de 75 famílias ligadas à pesca artesanal.

A pesca artesanal merece respeito, proteção e condições dignas. Mas proteger pescadores não deveria significar condená-los a permanecer em estruturas precárias, com baixa renda, pouca assistência técnica e escassas oportunidades de ascensão econômica. Uma cidade moderna poderia combinar preservação da cultura pesqueira com turismo náutico, gastronomia, passeios marítimos, capacitação profissional, marina pública ou concessionada e empregos formais.

O erro está em tratar pobreza como patrimônio intocável. O pescador deve ter liberdade para permanecer na atividade, mas também chance real de trabalhar no turismo, nos serviços, na manutenção náutica, na gastronomia ou em empreendimentos vinculados à orla. Florianópolis precisa transformar sua paisagem extraordinária em emprego, renda e qualidade urbana — e não eternizar abandono sob discursos supostamente sociais.

ADM. DILVO VIC ENTE TIRLONI PRESIDENTE

INFORMAÇÕES RELEVANTES

Projeto turístico compatível com a cidade

A proposta da Hantei propunha empreendimento urbano-turístico de interesse público, obedecendo integralmente ao Plano Diretor, às normas ambientais e aos limites de altura definidos para a área. Em vez de soluções excepcionais ou disputas intermináveis, o projeto reunia hotel de padrão internacional, centro de eventos, restaurantes, espaços culturais, mirantes e uma marina de baixo impacto, além da preservação dos ranchos dos pescadores. A iniciativa teria potencial para transformar a Ponta do Coral em referência turística, atraindo visitantes, ampliando a arrecadação municipal e valorizando toda a Beira-Mar Norte.

Parque público, pesca e geração de renda

A contrapartida essencial seria a criação de um grande parque aberto à população, integrado ao calçadão, com áreas verdes, ciclovias, píeres e acesso permanente à orla. Os pescadores locais receberiam novos ranchos, estrutura adequada, capacitação profissional e preferência em empregos ligados ao turismo náutico, gastronomia, manutenção de embarcações e passeios marítimos. Com licenciamento rigoroso, audiências públicas transparentes e fiscalização permanente, procurava conciliar proteção ambiental, cultura pesqueira, lazer público e oportunidades reais de trabalho e renda.

O resultado da rejeição

Tudo isso foi rejeitado em nome de uma suposta proteção social. Na prática, porém, não se criou parque estruturado, não se implantou marina, não surgiram empregos formais nem oportunidades permanentes de qualificação. Os pescadores continuam submetidos a uma atividade difícil, de renda limitada e sem infraestrutura compatível com a importância da área onde trabalham. A cidade perdeu turismo, arrecadação, espaços públicos qualificados e alternativas econômicas para essas famílias. Preservar a cultura pesqueira é correto; preservar abandono, baixa renda e falta de perspectivas é uma vergonha.

Deixe seu comentário