MORTANDADE NA BACIA DO ITACORUBI (RIO SERTÃO) –  O RETRATO DO COLAPSO AMBIENTAL – OXIGÊNIO ZERO, GESTÃO ZERO

FORAM MILHARES DE PEIXES MORTOS COM RESPONSABILIDADES CLARAS - CASAN/PMF. RIO CRUZA A UFSC

Milhares de peixes mortos na Bacia do Itacorubi não podem mais ser tratados como um “evento isolado”. Trata-se de um retrato contundente de falha estrutural e, acima de tudo, de irresponsabilidade do poder público. Os dados oficiais não deixam margem para interpretações complacentes. Relatórios do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina/IMA, do Instituto Trata Brasil e dos sistemas nacionais SNIS e SINISA são claros – o problema é crônico, conhecido e negligenciado.

Florianópolis ostenta quase universalização no abastecimento de água (98,5%), mas falha de forma grave no esgotamento sanitário. Apenas cerca de 68,1% da população possui coleta de esgoto e, pior, somente 60,14% do esgoto gerado é efetivamente tratado. Isso significa que uma parcela significativa dos efluentes segue sendo despejada in natura ou com tratamento insuficiente nos corpos hídricos. O resultado é previsível, degradação ambiental, perda da biodiversidade e episódios recorrentes como a mortandade de peixes.

O próprio histórico institucional agrava o quadro. Desde 2012, o Plano Municipal de Saneamento já diagnosticava com precisão os problemas e apontava soluções, com investimentos estimados, hoje corrigidos, em cerca de R$ 6,5 bilhões. Passados mais de dez anos, o que se vê é a execução tímida e fragmentada dessas ações. Em 2025, na RM, os investimentos somam apenas R$ 285 milhões (160 milhões em Potecas),  e, Florianópolis, míseros 76 milhões.  Florianópolis, sozinha, demandaria cerca de R$ 150 milhões anuais apenas para acompanhar o plano — valor sistematicamente negligenciado.

Os relatórios de balneabilidade do IMA reforçam o alerta,  dos 88 pontos monitorados, 21 estão impróprios. Isso não é detalhe técnico — é evidência de um sistema que não funciona como deveria. Some-se a isso perdas de água superiores a 34% e tem-se um cenário de ineficiência generalizada.

Portanto, não há surpresa na mortandade de peixes. Há, sim, omissão. O poder público conhece os dados, dispõe de planejamento e arrecada recursos, mas falha na execução. Persistir nesse modelo é aceitar a degradação contínua dos ecossistemas e o comprometimento da qualidade de vida da população. Não se trata de acaso — trata-se de desleixo institucionalizado.

ADM. DILVO VICENTE TIRLONI

INFORMAÇÕES RELEVANTES

  • Segundo o SNIS, Florianópolis tem cerca de 98,5% de cobertura de água, mas apenas 68,1% de coleta de esgoto e 60,14% de tratamento. Na Região Metropolitana, os índices são ainda mais alarmantes. Esse desequilíbrio evidencia falhas estruturais no saneamento e impactos diretos na qualidade ambiental e na saúde pública.
  • Segundo o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, em Florianópolis, dos 88 pontos monitorados, cerca de 67 estão próprios e 21 impróprios para banho, o que representa aproximadamente 24% de contaminação. Esse índice elevado revela pressão constante sobre os corpos hídricos, associada principalmente à deficiência na coleta e no tratamento de esgoto.
  • Segundo o Instituto Trata Brasil, investimentos modestos em esgotamento sanitário, revelam um quadro desolador – déficit relevante, apenas cerca de 60% do esgoto é tratado. O instituto aponta que cidades com esse nível de cobertura mantêm riscos ambientais e sanitários elevados, com reflexos na balneabilidade, saúde pública e qualidade de vida da população.

SOLUÇÃO: Concessionar os serviços de água e esgoto para toda a RM. Poderão ser levantados até R$10 bilhões entre outorgas e Investimentos. Só os néscios não enxergam os benefícios desta decisão.

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