IDOSOS DE FLORIANÓPOLIS – ACOLHIMENTO, DIGNIDADE E VIGILÂNCIA – ENVELHECER COM RESPEITO, DEVER DA CIDADE –  CASAS DE ACOLHIMENTO NÃO PODEM SER DEPÓSITOS HUMANOS

O envelhecimento da população exige de Florianópolis mais do que discursos de respeito, exige proteção concreta, fiscalização permanente e serviços capazes de preservar a dignidade de quem já trabalhou, criou famílias e ajudou a construir a cidade. O abandono de pessoas idosas pode nascer de pobreza, doença, ausência de familiares, conflitos domésticos ou incapacidade de cuidado. Mas, em muitos casos, nasce também da falta de compaixão. Nenhuma sociedade pode aceitar que seus idosos sejam tratados como um peso ou descartados quando se tornam mais frágeis.

O alerta recente vindo de Joinville merece atenção. Em maio de 2026, o Ministério Público de Santa Catarina denunciou responsáveis por uma instituição clandestina que chegou a acolher 36 idosos. A acusação menciona negligência, risco à saúde, condições degradantes e funcionamento irregular mesmo após intervenções anteriores. Esse episódio não autoriza generalizações sobre todas as casas de acolhimento, mas reforça uma obrigação, Florianópolis precisa prevenir, fiscalizar e agir antes que ocorram tragédias silenciosas.

A história brasileira do acolhimento começou de forma limitada. A Casa dos Inválidos, criada no Rio de Janeiro em 1794, atendia inicialmente militares da Coroa. Mais tarde, surgiram instituições voltadas à velhice desamparada. Em Santa Catarina, a tradição de cuidado ganhou símbolo maior com Madre Paulina. Em 12 de julho de 1890, em Nova Trento, ela e Virgínia Nicolodi acolheram uma mulher com câncer em estado terminal, gesto que marcou o início de uma obra dedicada aos mais necessitados e que se transformou numa gigante religiosa – Congregação das Irmãs da Imaculada Conceição (CIIC)

Hoje, as antigas casas de amparo evoluíram para as Instituições de Longa Permanência para Idosos — ILPIs. Elas não devem ser simples depósitos humanos. Precisam oferecer higiene, alimentação adequada, acompanhamento médico, segurança, atividades, convivência, respeito à individualidade e presença familiar sempre que possível.

Florianópolis já possui iniciativas importantes, como o Centro Multiuso da Pessoa Idosa, instalado no antigo Clube Doze (SEGURAMENTE, A MELHOR OBRA SOCIAL DA GESTÃO TOPÁZIO), que reúne serviços do Floripa 60+ Empregos, EJA para idosos, CadÚnico, Procon e atendimento cidadão. Mas a política pública não pode se limitar a atividades de convivência. É necessário criar uma rede efetiva de fiscalização das ILPIs, com participação da Vigilância Sanitária, Assistência Social, Conselhos do Idoso, Ministério Público e famílias espalhados pelos 18 distritos da cidade.

O Estatuto da Pessoa Idosa assegura proteção à vida, saúde, dignidade, liberdade e convivência familiar e comunitária para quem tem 60 anos ou mais. Também determina que Estado e sociedade impeçam tratamento desumano, violento, vexatório ou constrangedor. O grande teste civilizatório de Florianópolis será este, garantir que cada idoso encontre cuidado, respeito e acolhimento — nunca abandono.

ADM DILVO VICENTE TIRLONI PRESIDENTE

INFORMAÇÕES RELEVANTES

  1. No Brasil, a proteção à pessoa idosa é assegurada pela Constituição Federal e detalhada no Estatuto da Pessoa Idosa, Lei nº 10.741/2003. A norma garante direitos como vida, saúde, alimentação, educação, cultura, trabalho, lazer, liberdade, respeito, dignidade e convivência familiar e comunitária. Trata-se de reconhecer que envelhecer com segurança e cuidado é um direito, não um favor.
  • Amábile Lúcia Visintainer, a Madre Paulina, nasceu em família numerosa, seus pais se instalaram em Nova Trento/SC,  com 14 irmãos. Em 1890, liderou a fundação da Congregação das Irmãs da Imaculada Conceição, dedicada ao atendimento dos mais necessitados. No Brasil, sua obra permanece ativa em educação, saúde, geriatria e ação social, mantendo hospitais, casas de acolhimento e projetos voltados às comunidades vulneráveis.
  • A SERTE, na Cachoeira do Bom Jesus, fundada por Nelinho (cujo nome verdadeiro era Leonel Timóteo Pereira) demonstra que Florianópolis já possui tradição de acolhimento e cuidado com idosos em situação de vulnerabilidade. Instituição filantrópica criada em 1956, mantém moradia, alimentação, assistência e convivência para dezenas de idosos. O exemplo precisa ser ampliado, a cidade deveria estruturar centros de referência em cada distrito, aproximando saúde, orientação, atividades e apoio às famílias. Vale dizer que muitos dos recursos da SERTE são de pessoas voluntárias.

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