VOU EMBORA PARA O PARAGUAI – COBRA MENOS E EXPLICA MELHOR – DIFERENÇA ENTRE A CONTA PARAGUAIA E A BRASILEIRA
Ganha um mamão papaia maduro quem conseguir compreender, sem ajuda especializada, a conta de energia enviada pela Celesc. A fatura parece feita não para esclarecer, mas para confundir o consumidor entre siglas, tarifas, bandeiras, impostos e encargos.
Minha conta de julho de 2026 chegou a R$ 543,25, correspondente ao consumo de 560 kWh. Moramos apenas duas pessoas em um apartamento com geladeira, máquina de lavar e secar e outros eletrodomésticos comuns à classe média, todos utilizados moderadamente.
Ao examinar a cobrança, encontrei:
Cofins: R$ 34,88
ICMS: R$ 81,12
COSIP: R$ 27,12
Somados, esses valores alcançam R$ 143,12, ou 26,34% da fatura. Além disso, existem custos de geração, transmissão, distribuição, encargos setoriais e subsídios embutidos na tarifa. O consumidor paga, mas dificilmente consegue identificar o destino de cada parcela.
A comparação com o Paraguai é constrangedora. Aquele país também recebe energia de Itaipu Binacional. Segundo a tarifa residencial informada pela empresa paraguaia, o consumo entre 501 e 1.000 kWh custa aproximadamente ₲ 420,27 por kWh.
Aplicando essa tarifa aos mesmos 560 kWh, teríamos:
560 × ₲ 420,27 = ₲ 235.351
Considerando a cotação de R$ 0,00084 por guarani, o valor seria aproximadamente R$ 197,70, equivalente a apenas 36,4% da conta brasileira, antes de eventuais tributos locais.
Não se questiona a necessidade de ajudar famílias pobres ou levar energia às regiões isoladas. Programas como Tarifa Social, Luz do Povo, Luz para Todos e Mais Luz para a Amazônia (CDE) podem cumprir funções importantes. O problema é transformar a conta de luz em instrumento permanente de arrecadação e financiamento de políticas públicas.
O governo anuncia benefícios, mas quem paga é o consumidor comum, a classe média, o comércio e as empresas. Precisamos de tarifas menores, encargos controlados e faturas transparentes. Caso contrário, “vou embora para o Paraguai” deixará de ser brincadeira e se tornará uma decisão econômica compreensível.
ADM. DILVO VICENTE TIRLONI PRESIDENTE
Informações Relevantes:
- No Paraguai, a conta de energia da ANDE é mais simples e barata que a brasileira. A cobrança principal corresponde ao consumo em kWh, acrescido de 10% de IVA e da taxa de iluminação pública. Energia reativa (quem não adota equipamentos que economizem energia) aplica-se somente a determinados clientes empresariais, enquanto atrasos ou parcelamentos podem gerar encargos financeiros.
- Pegue agora a fatura da CELESC e veja a complexidade dos cálculos que levam ao valor final da fatura. É ininteligível.
- A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) é um encargo cobrado na conta de luz para financiar políticas públicas do setor elétrico. Seus recursos subsidiam a tarifa social para famílias de baixa renda, a eletrificação de áreas isoladas, fontes renováveis, geração em sistemas isolados e outros programas definidos pelo governo. O custo é repartido entre todos os consumidores de energia elétrica. CDE – entre 8% e 12% do valor final da conta de luz. Total dos encargos setoriais (CDE + PROINFA + ESS + outros): cerca de 15% a 22% da tarifa.
- No Brasil já temos os impostos para cumprir com estes investimentos. Cobra-se duas vezes.
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