ALÉM DE ZUMBI – A CONSTRUÇÃO DA MEMÓRIA NEGRA NO BRASIL, HOMENAGENS E OMISSÕES
LÍDERES NEGROS DE ONTEM E DE HOJE. INTEGRADOS, ENRIQUECEDORES DA CULTURA DIGNOS REPRESENTANTES DA POPULAÇÃO E DO PAIS QUE AJUDARAM A CONSTRUIR. SÓ HÁ VENCEDORES
O debate sobre relações étnico-raciais no Brasil ganhou força nos últimos anos, especialmente com a ampliação de políticas educacionais voltadas ao tema. A recente assinatura do convênio entre o Conselho Estadual de Educação e o Instituto da Liberdade/Escola Olodum Sul, no contexto do Dia da Consciência Negra, (ND 25/11/2025) reforça o compromisso de atender às Leis 10.639/2003 e 12.288/2010, que determinam o ensino da história e cultura afro-brasileira. Trata-se de uma iniciativa positiva, pois ampliar cultura, pesquisa e memória histórica é sempre um avanço.
É igualmente importante reconhecer que o Brasil é uma nação construída por múltiplas matrizes étnicas. Pardos e negros já representam mais de metade da população, e seu acesso às universidades tem crescido de forma consistente, segundo dados do INEP (mais de 40%). Esse movimento revela conquistas sociais significativas e o esforço de milhões de famílias que, geração após geração, construíram seu caminho pela educação e pelo trabalho.
Ao mesmo tempo, o debate contemporâneo sobre racismo, discriminação e herança histórica muitas vezes se apoia em interpretações amplas, como o conceito de “racismo estrutural”, que ainda suscita divergências entre especialistas. Há visões distintas — sociológicas, antropológicas e históricas — sobre a melhor forma de interpretar a desigualdade racial no Brasil. É legítimo, portanto, questionar como narrativas simbólicas são construídas e quais figuras históricas devem ser escolhidas como referência nacional.
Nesse ponto, cabe uma reflexão pertinente, existem muitos nomes da população negra que poderiam simbolizar valores universais como superação, educação, talento, patriotismo e mérito. O Brasil produziu figuras extraordinárias — como Nilo Peçanha, presidente da República; Cruz e Sousa, um dos maiores poetas do país; Antônio Conselheiro; José do Patrocínio; Luiz Gama; Machado de Assis — que representam trajetórias notáveis e poderiam ocupar lugar de maior destaque nas homenagens oficiais. Não foi o que fizeram as lideranças quando escolheram Zumbi dos Palmares, ele mesmo um escravocrata em seu Quilombo. Estas contradições levantam dúvidas sobre o acerto das escolhas diante das figuras históricas citadas.
Valorizar a história da população negra é fundamental, entretanto, a escolha das figuras representativas deve promover unidade, inspiração e orgulho. O debate não deve negar o passado, mas ampliá-lo, reconhecendo toda a diversidade de personagens que contribuíram para a formação do país, notadamente, os valores educacionais e culturais da população étnica.
Assim, o essencial é construir políticas de memória que não dividam, mas enriqueçam o entendimento da nossa história e honrem todos aqueles que ajudaram a moldar o Brasil.
ADM. DILVO VICENTE TIRLONI – PRESIDENTE
EX ALUNO DE ANTROPOLOGIA CULTURAL
INFORMAÇÕES RELEVANTES
- 20/11 – Dia da Consciência Negra, feriado nacional no Brasil em homenagem a Zumbi dos Palmares (1695). ZUMBI, era um chefe de Quilombo e escravocrata.
- Nilo Procópio Peçanha, sétimo presidente do Brasil. Ele foi governador do Rio de Janeiro. Morreu em 1924 com 56 anos.
- Cruz e Souza, poeta e jornalista, um dos primeiros poetas simbolistas brasileiros. Descendente de escravos africanos, recebeu os epítetos de “Dante Negro” e “Cisne Negro”. Nasceu em 1861 e morreu e 1898.
- Antonieta de Barros, CATARINENSE, jornalista e política, negra, professora, nasceu em 1901 e morreu em 1952.
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